As eleições no interior do Amazonas poderiam servir de teses de mestrado/doutorado ou outros estudos avançados. A relação sociedade/candidatos/partidos políticos/polícia/justiça treme nos municípios distantes da capital.
As notícias divulgadas nos jornais locais, principalmente no DIÁRIO DO AMAZONAS, mas também em ACRÍTICA, denunciam a utilização de recursos humanos da PM de forma irregular quando são destacados para proteger candidatos apoiados pelo governador. E essas denúncias foram feitas por promotores e juízes, que inclusive em alguns municípios (como é o caso de Parintins) estão preocupados com sua própria segurança.
Mas por que tudo isso? por que não há normalidade no processo eleitoral no interior do estado?
Por que o TSE autorizou envio de tropas federais para 36 municípios do total de 62 que compõem o estado do Amazonas? e por que, do total de 62, 51 solicitaram tropas federais mesmo sabendo que o governador não via necessidade e afirmava que a PM estava apta a garantir a segurança do pleito?
São esses porquês que os estudos sugeridos acima poderiam esclarecer. Não adianta. Por mais que se pense, que se comente, que se discuta, não chegaremos a um entendimento sobre o assunto na informalidade.
Mas, já que não surge um interessado em esclarecer o tema, vamos continuar debatendo da nossa forma:
Nesse período de campanha eleitoral, o que se vê nos municípios do interior, imediatamente, é o retorno de pessoas que vivem na capital, mas dizem que mantém o vínculo com o município de origem. Esse vínculo permitido pela Legislação Eleitoral lhe possibilita candidatar-se a qualquer cargo eletivo por aquele município. Então, ele volta lá como candidato. Juntamente com ele, cônjuges, parceiros, advogados, parentes, amigos, etc..
Com isso o interior tem sua rotina alterada. Acabou a calmaria. É o período da "política". Hotéis lotados, comércio com um movimento bem acima do normal, os barcos e outros meios de transporte sempre cheios, o dinheiro circula mais e numa velocidade bem acima do normal.
Come-se muito tracajá e tartaruga nesse período. Que fato curioso. E parece que o Ibama reconhece alguma importância nisso, por que se ausenta da cidade ou finge que não vê.
Com essa agitação nas cidades interioranas, a sexualidade não poderia deixar de se manifestar. Os visitantes atraem as meninas, adolescentes em sua maioria. É comum existir na cidade uma ou mais pessoas encarregadas de "fornecer" meninas para os "aventureiros". O esquema já está pronto. E os hotéis permitem a entrada e permanência de menores sem problema algum, desreipeitando, em alguns casos, determinação do juiz local.
E a campanha eleitoral? a campanha é tema para um estudo específico. O que ocorre em uma campanha eleitoral no interior do Amazonas é um misto de imoralidade, falta de civismo, prática de crimes como pedofilia, agressão ao meio ambiente, uso irregular de recursos públicos, e etc., etc., etc..
Nos municípios onde não há presença do TRT, não há como fiscalizar a contratação do pessoal que trabalhará nas campanhas. Com o TRT já é difícil, imagine sem ele. E não por acaso a maioria dos 62 municípios não tem a presença do TRT.
Então o que ocorre é que as coligações recrutam (é diferente de contratar) as pessoas que participarão da campanha. Dificilmente todos recebem o prometido. Mas reclamar a quem?
Nos municípios em que o prefeito tem o hábito de não pagar o funcionalismo, na semana que antecede o pleito, principalmente nos últimos dias, é o momento ideal para eles negociarem o voto do funcionalismo público municipal. E vem com aquela história: "Tudo bem, você tem 4 meses a receber. Eu te pago. Mas me dá aqui o teu título. E olha, nós temos um rastreador... se você não votar em mim eu vou saber!!!".
Aí as passeatas, carreatas e comícios são realizadas com um artificialismo digno de novela da Globo. Muito mais por obrigação e menos por adesão ideológica, as pessoas participam dos comícios e passeatas de seus candidatos. A democracia, a liberdade de expressão, a dignidade, a cidadania, foi tudo pro lixo.
Mas alguém poderia questionar:
- Não é bem assim. O promotor público e o promotor eleitoral têm a função de fiscalizar esses atos.
Está certo e errado quem pensar assim. Está certo por que essa é uma das funções do Ministério Público. Errado, por que o "câncer político" que toma conta do Amazonas, facilita que o promotor não seja indicado para determinado município e possibilita que o promotor more em Manaus e vá ao município a que foi destacado somente passear. E mais errado ainda, por que a população não sabe a diferença entre um juiz e um promotor. Muitos confundem até a autoridade do prefeito e do delegado de polícia.
O trabalho que a Justiça Eleitoral faz com as campanhas educativas tem uma excelente intenção. E só. Para que houvesse efetividade, primeiro o cenário deveria ser diferente. A realidade em que vive o interior do Amazonas é algo não reconhecido, não assumido pelos governos estadual e federal. Quando reconhecermos que o interior do Amazonas vive muito abaixo da linha da miséria, muito abaixo dos índices indicados pela ONU e outros órgãos que avaliam a qualidade de vida, ai sim saberemos o que fazer para mudar o cenário.
Mas amanhã é o grande dia. Hoje muita coisa ainda vai acontecer. Muitos funcionários públicos municipais ainda vão receber seus salários atrasados em troca do seu PRECIOSO voto. Outros, com dignidade e integridade, dirão NÃO. Preferirão continuar passando necessidades do que VENDER o voto.
Vamos torcer para que a DIGNIDADE E A INTEGRIDADE sobrepujam a imoralidade, a falta de patriotismo e a falta de caráter. E essa atitude proporcione nessas eleições a ida, à prefeitura e à câmara, de pessoas dignas e com capacidade cívica de honrar seus compromissos e responsabilidades como representantes do povo.
BOA ELEIÇÃO A TODOS!