sábado, 11 de outubro de 2008

MPE-AM de novo

Essa tela extraida do site do ministério público estadual (em minúsculo mesmo) deveria mostrar a lotação dos procuradores, tanto em Manaus como nos municípios do interior (a quem interessar, www.mp.am.gov.br). Mas o que se vê é que o MPE-AM não sabe ou não quer saber quais municípios do interior do Amazonas tem ou não tem promotor público.
A mesma tela foi mostrada no primeiro post deste blog em julho. De lá para cá nada mudou. A página ainda está "em construção".

Vamos tentar novamente. Juntamente com este post, retornamos a enquete sobre o MPE-AM. Desta vez a enquete mostra todos os 61 municípios do interior do Amazonas e espera que o público indique quais municípios não possuem promotor público.
É mais uma tentativa de mostrar ao próprio MPE-AM aonde seus representantes passeiam ou estão ausentes.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Entrevista com o Prefeito eleito de São Gabriel da Cachoeira

No jornal ACRITICA de hoje, www.acritica.com.br, disponivel para usuários cadastrados, vem uma parte da entrevista com o prefeito eleito de São Gabriel da Cachoeira. A íntegra da entrevista foi publicada na versão impressa, que circula na cidade de Manaus e algumas cidades do interior.

Desejamos que o prefeito e seu vice, eleitos pela maioria, aproveitem a oportunidade que o povo lhes deram e administrem e apliquem os recursos do município da forma mais justa.

Reproduzimos abaixo o trecho da entrevista.

‘Tivemos uma grande vitória. Incontestável’


Leandro Prazeres
O prefeito eleito de São Gabriel da Cachoeira, Pedro Garcia (à esquerda) e o seu vice, Daniel Baniwa, quando percorriam os rios em campanha eleitoral


Leandro Prazeres
Da equipe de A CRÍTICA


No dia 7 de setembro deste ano, A CRÍTICA publicou uma reportagem sobre as dificuldades enfrentadas por dois indígenas que faziam campanha para a Prefeitura de São Gabriel da Cachoeira (a 858 quilômetros de Manaus) a bordo de pequenas voadeiras. Vinte e oito dias depois, no dia 5 de outubro, aqueles dois homens, o tariano Pedro Garcia (PT) e André Baniwa (PV), se transformaram nos primeiros indígenas a serem eleitos prefeito e vice-prefeito de São Gabriel da Cachoeira. Uma vitória emblemática: o município é o que tem a maior população indígena do País (aproximadamente 70%, de acordo com o IBGE). A vitória coincide com a comemoração dos dez anos da homologação das terras indígenas do Rio Negro.

Refeito da campanha, Pedro Garcia concedeu, por telefone, entrevista exclusiva ao jornal A CRÍTICA na qual falou sobre as suas expectativas e os desafios que acredita que vai encontrar a partir do dia 1º de janeiro quando tomará posse.

Após perder duas eleições (2004 para prefeito e 2006 para deputado federal), qual a sensação da vitória?
É muito boa. A expectativa da maioria da população é boa, mas os nossos adversários ainda não conseguiram engolir a derrota. Há comentário de que vão impugnar a votação. Mas a maioria do povo está alegre. Não somente porque a gente (André Baniwa e Pedro) chegou a essa conquista, mas porque sentem que o povo também fez uma grande conquista. Nós tivemos mais de 50% dos votos válidos. Foi uma grande vitória. Incontestável.

Quais as principais dificuldades que o senhor e o seu vice, André, enfrentaram durante a campanha?
Não foram nem as distâncias entre as comunidades. Foi a falta de recursos financeiros. Tendo dinheiro, a gente se desloca. Foi uma campanha pobre. Tivemos apoio de alguns amigos. Uma parte dos nossos gastos foi arcada pelo Partido dos Trabalhadores, e só. O que nos ajudou foi o apoio político que nós recebemos. Estivemos duas vezes com o senador João Pedro (PT) e com a deputada federal Rebecca Garcia (PP). Isso teve bastante influência.

E quais as dificuldades que o senhor acredita encontrar na prefeitura a partir do dia 1º de janeiro?
Dívidas. Acredito que quando eu assumir a prefeitura, vá encontrar uma grande quantidade de dívidas nos cofres municipais. Mas eu estou preparado pra isso. Estou tomando algumas providências, principalmente com a equipe de transição. Geralmente, eles entregam a prefeitura vazia. Eu acredito que se eu montar uma equipe boa de transição, não teremos dificuldades maiores.

O senhor é um dos fundadores do movimento indígena. De que forma a Prefeitura de São Gabriel da Cachoeira vai interagir, na sua gestão, com os movimentos sociais?
Quero trabalhar em parceria com eles. Temos muita coisa pra ajudar um ao outro. Queremos nos unir para dividir tarefas. Acredito que o movimento indígena é um grande parceiro. O próprio Plano Diretor de São Gabriel da Cachoeira foi definido por meio de uma grande parceria com esses movimentos. Queremos que eles continuem puxando as discussões, apresentando as alternativas. Iremos interagir com todos os movimentos sociais, inclusive com as organizações estrangeiras.

Como foi a repercussão de sua vitória na comunidade internacional?
Muito boa. Recebi alguns telefonemas de gente da Europa. Principalmente da Áustria, onde tenho alguns colegas. Recebi também um convite para ir a um congresso na Guatemala onde prefeitos indígenas de toda a América Latina vão se reunir e discutir problemas comuns e apontar soluções que podem ser compartilhadas.

Como será composto o seu secretariado? Haverá secretários indígenas?
Sim. Tenho pensado bastante nisso. Estou fazendo uma reunião interna no partido. Vamos sentar com a equipe política que será formada pelos membros dos partidos aliados e, com eles, quero discutir esse secretariado. Tudo vai depender dessa composição. No momento não tenho nenhum nome para adiantar, mas alguns já estão definidos.

Quais serão as ações prioritárias de sua administração em seu primeiro ano de mandato?
Todos estão ansiosos e querendo ver pelo menos água de qualidade chegando à casa do povo. Nossas prioridades são água, iluminação pública e Educação. Precisamos de escolas na sede e no interior. A princípio, a nossa idéia é construir duas creches na sede do município e uma escola para o Ensino Fundamental.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Nossa Homenagem

Com a letra da música "Cabeça Oca", fazemos nossa singela homenagem a aqueles prefeitos do interior do Amazonas que, por incompetência pura, não conseguiram a reeleição e agora estão perseguindo os funcionários públicos municipais.

Retirado de http://www.lyricstime.com/ab-lio-farias-cabe-a-oca-lyrics.html

"Quando passar esta mania de grandeza
Eu quero ver o que será da tua vida
Quando a velhice rondar tua beleza
E o amigo te negar uma bebida

Eu quero ver
Este sorriso em tua boca
Quando esse cara que te abraça
Te abandonar cabeça oca

Tu voltarás
Para pedir o meu abrigo
Porque tu sabes que eu te amo
E que estou sempre contigo

Mas desta vez
Não poderei te ajudar
Cabeça oca eu sinto muito
Mas tenho outra em teu lugar"

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Eleição e Comunidades Rurais

Hoje no "Bom Dia Brasil", programa jornalístico exibido pela Rede Globo, o jornalista Alexandre Garcia fez um balanço das eleições e destacou fato interessante, mas nem tanto intrigante:

"(...) Nós, comentaristas, olhamos as eleições de ontem com olhos no amanhã, pondo no tabuleiro as peças de 2010, quando haverá eleição presidencial e eleição para governador.
As cúpulas partidárias nacionais certamente também põem na balança de 2010 as tendências dos votos de domingo (5). Mas os eleitores que votaram certamente olharam para seus problemas imediatos, e não para a eleição seguinte. Olharam para os problemas de sua rua, sua vizinhança, as questões de organização urbana, de saúde, escolas municipais, limpeza pública, ocupação imobiliária, qualidade de vida e segurança.
Para os eleitores de ontem, a eleição futura está longe e os problemas municipais estão muito perto."

Para o eleitor comum, o cidadão que não está filiado a partido político, é óbvio que o que vem à mente no momento da escolha do candidato é exatamente não cometer o mesmo erro da eleição de 2004 e não votar naquele candidato que não honrou os votos que recebeu. Fato curioso, por que via de regra a decepção do eleitor tem sido tendência natural nos municípios do interior do Amazonas. Em raras exceções o eleitor volta a depositar confiança no mesmo candidato.
Tudo isso ocorre para aqueles eleitores conscientes. Aqueles que não se sujeitam a vender seu voto. Mas esses são a minoria no processo eleitoral por essas bandas. Então como explicar o NÃO em tantos municípios, tanto para o cargo de vereador quanto para prefeito?
Tudo nos leva a crer que aqueles eleitores que venderam seus votos, o fizeram por motivos financeiros. Mas é bem provável que esse mesmo eleitor que vendeu seu voto, por algum motivo não cumpriu sua promessa. Vendeu, recebeu o pagamento, mas não entregou o produto, ou seja não votou naquele candidato que lhe pagou.
Parece que, de tanto levar, a população está aprendendo a dar rasteira em candidatos corruptos.
Os eleitores que mais são ludibriados no periodo eleitoral são aqueles que tem menos instrução, menos acesso à saúde, à educação. São aqueles que vivem na miséria absoluta.
Mas quem são? quantos são? como sobrevivem os habitantes das comunidades rurais?
Sem ter a pretensão de responder à todas as questõs sobre o morador da comunidade rural, vamos tentar esclarecer um pouco sobre a população interiorana do Amazonas.

A população do interior do Amazonas está divida, geograficamente, em duas: aquela que se encontra na sede do município e aquela que vive em comunidades rurais. A população das sedes dos municípios é conhecida no interior como "população da cidade". Já a das comunidades rurais é conhecida como "população do interior".
Essas populações sofrem muito quando o prefeito é corrupto. Mas a população do interior, ou seja, das comunidades rurais, tem esse flagelo mais frequente em suas vidas. Isso se explica, em parte, pela distância entre a sede do município e a comunidade rural. Como parece que os governos incentivam a permanência dessa população nas comunidades rurais mas ao mesmo tempo não manifestam preocupação em aplicar políticas públicas às mesmas, essa população vive ao acaso. Vive eternamente à espera de dias melhores.
Mas é essa população que faz a diferença no pleito. O interesse dos políticos no período de campanha eleitoral é tanto que se organizam de uma forma tal e, com ou sem o apoio da Justiça Eleitoral, providenciam meios de transporte para garantir o voto daquelas comunidades distantes da sede. Isso porque o TRE-AM não mantém cada comunidade rural do Amazonas como uma seção eleitoral. E aí vai uma pergunta para quem entende de geografia do Amazonas: quantas comunidades rurais existem no Amazonas?
Não procurem a resposta no site do governo do estado (www.amazonas.am.gov.br). É mais fácil encontrar lá as fotos da última festa que o governador participou do que alguma informação sobre o interior do Amazonas.
Voltemos ao TRE-AM. No mundo ideal, o certo seria o processo de votação ir à comunidade e não o contrário. Mas se o TRE-AM assumir essa bronca (que não é pequena) o custo do voto por eleitor, que nessa eleição foi de 3 a 4 Reais, dobraria ou triplicaria. Mas não é esse o motivo. O fato é que NINGUÉM tem o real conhecimento dessas localidades oficialmente.

Como as políticas públicas não chegam até lá, a população não tem acesso aos serviços de saúde, a educação é precária, a alimentação, idem.. Pra resumir, vive-se em condições sub-humanas. E isso é de conhecimento dos governos. Mas no período de eleição, aviões, hidroaviões, helicópteros, lanchas e barcos são fretados para garantir a visita de senadores, deputados federais, deputados estaduais às mais remotas localidades do interior do Amazonas. Viagens que o caboclo interiorano levaria de 8 a 10 dias para realizar na busca de um atendimento médico, os políticos que vem dar apoio a seus parceiros interioranos realizam em uma ou duas horas de vôo. Simples assim.
E é dessa forma que vivem as populações das comunidades rurais do Amazonas.

Bom, O resultado da eleição está aí. Provavelmente muitas representações serão encaminhadas ao TRE-AM. É bem provável que haja troca-troca de prefeito em alguns municípios. Em toda eleição isso acontece.
O importante é que de uma forma ou de outra exercemos nosso direito (e obrigação) de voto. Praticamos o exercício da democracia.
Mas, da mesma forma que houve a manifestação (voto) para escolha dos nossos representantes, devemos acompanhar de perto as ações dos mesmos no período de 2009 a 2012. E se não for bem aquilo que esperávamos (o que é bastante provável em muitas cidades) temos o direito (e obrigação, de novo) de manifestar nossa insatisfação e exigir seu afastamento.

sábado, 4 de outubro de 2008

BOA ELEIÇÃO A TODOS!

As eleições no interior do Amazonas poderiam servir de teses de mestrado/doutorado ou outros estudos avançados. A relação sociedade/candidatos/partidos políticos/polícia/justiça treme nos municípios distantes da capital.
As notícias divulgadas nos jornais locais, principalmente no DIÁRIO DO AMAZONAS, mas também em ACRÍTICA, denunciam a utilização de recursos humanos da PM de forma irregular quando são destacados para proteger candidatos apoiados pelo governador. E essas denúncias foram feitas por promotores e juízes, que inclusive em alguns municípios (como é o caso de Parintins) estão preocupados com sua própria segurança.
Mas por que tudo isso? por que não há normalidade no processo eleitoral no interior do estado?
Por que o TSE autorizou envio de tropas federais para 36 municípios do total de 62 que compõem o estado do Amazonas? e por que, do total de 62, 51 solicitaram tropas federais mesmo sabendo que o governador não via necessidade e afirmava que a PM estava apta a garantir a segurança do pleito?
São esses porquês que os estudos sugeridos acima poderiam esclarecer. Não adianta. Por mais que se pense, que se comente, que se discuta, não chegaremos a um entendimento sobre o assunto na informalidade.
Mas, já que não surge um interessado em esclarecer o tema, vamos continuar debatendo da nossa forma:

Nesse período de campanha eleitoral, o que se vê nos municípios do interior, imediatamente, é o retorno de pessoas que vivem na capital, mas dizem que mantém o vínculo com o município de origem. Esse vínculo permitido pela Legislação Eleitoral lhe possibilita candidatar-se a qualquer cargo eletivo por aquele município. Então, ele volta lá como candidato. Juntamente com ele, cônjuges, parceiros, advogados, parentes, amigos, etc..
Com isso o interior tem sua rotina alterada. Acabou a calmaria. É o período da "política". Hotéis lotados, comércio com um movimento bem acima do normal, os barcos e outros meios de transporte sempre cheios, o dinheiro circula mais e numa velocidade bem acima do normal.
Come-se muito tracajá e tartaruga nesse período. Que fato curioso. E parece que o Ibama reconhece alguma importância nisso, por que se ausenta da cidade ou finge que não vê.
Com essa agitação nas cidades interioranas, a sexualidade não poderia deixar de se manifestar. Os visitantes atraem as meninas, adolescentes em sua maioria. É comum existir na cidade uma ou mais pessoas encarregadas de "fornecer" meninas para os "aventureiros". O esquema já está pronto. E os hotéis permitem a entrada e permanência de menores sem problema algum, desreipeitando, em alguns casos, determinação do juiz local.
E a campanha eleitoral? a campanha é tema para um estudo específico. O que ocorre em uma campanha eleitoral no interior do Amazonas é um misto de imoralidade, falta de civismo, prática de crimes como pedofilia, agressão ao meio ambiente, uso irregular de recursos públicos, e etc., etc., etc..
Nos municípios onde não há presença do TRT, não há como fiscalizar a contratação do pessoal que trabalhará nas campanhas. Com o TRT já é difícil, imagine sem ele. E não por acaso a maioria dos 62 municípios não tem a presença do TRT.
Então o que ocorre é que as coligações recrutam (é diferente de contratar) as pessoas que participarão da campanha. Dificilmente todos recebem o prometido. Mas reclamar a quem?

Nos municípios em que o prefeito tem o hábito de não pagar o funcionalismo, na semana que antecede o pleito, principalmente nos últimos dias, é o momento ideal para eles negociarem o voto do funcionalismo público municipal. E vem com aquela história: "Tudo bem, você tem 4 meses a receber. Eu te pago. Mas me dá aqui o teu título. E olha, nós temos um rastreador... se você não votar em mim eu vou saber!!!".

Aí as passeatas, carreatas e comícios são realizadas com um artificialismo digno de novela da Globo. Muito mais por obrigação e menos por adesão ideológica, as pessoas participam dos comícios e passeatas de seus candidatos. A democracia, a liberdade de expressão, a dignidade, a cidadania, foi tudo pro lixo.
Mas alguém poderia questionar:
- Não é bem assim. O promotor público e o promotor eleitoral têm a função de fiscalizar esses atos.
Está certo e errado quem pensar assim. Está certo por que essa é uma das funções do Ministério Público. Errado, por que o "câncer político" que toma conta do Amazonas, facilita que o promotor não seja indicado para determinado município e possibilita que o promotor more em Manaus e vá ao município a que foi destacado somente passear. E mais errado ainda, por que a população não sabe a diferença entre um juiz e um promotor. Muitos confundem até a autoridade do prefeito e do delegado de polícia.

O trabalho que a Justiça Eleitoral faz com as campanhas educativas tem uma excelente intenção. E só. Para que houvesse efetividade, primeiro o cenário deveria ser diferente. A realidade em que vive o interior do Amazonas é algo não reconhecido, não assumido pelos governos estadual e federal. Quando reconhecermos que o interior do Amazonas vive muito abaixo da linha da miséria, muito abaixo dos índices indicados pela ONU e outros órgãos que avaliam a qualidade de vida, ai sim saberemos o que fazer para mudar o cenário.

Mas amanhã é o grande dia. Hoje muita coisa ainda vai acontecer. Muitos funcionários públicos municipais ainda vão receber seus salários atrasados em troca do seu PRECIOSO voto. Outros, com dignidade e integridade, dirão NÃO. Preferirão continuar passando necessidades do que VENDER o voto.

Vamos torcer para que a DIGNIDADE E A INTEGRIDADE sobrepujam a imoralidade, a falta de patriotismo e a falta de caráter. E essa atitude proporcione nessas eleições a ida, à prefeitura e à câmara, de pessoas dignas e com capacidade cívica de honrar seus compromissos e responsabilidades como representantes do povo.

BOA ELEIÇÃO A TODOS!

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Ser preso e estar condenado

Pela justiça brasileira, o réu pode aguardar julgamento em liberdade ou na prisão. É quase uma questão de escolha, pois depende do crime e de quem está sendo julgado.
No município de Coari, o esquema de corrupção desmontado pela Polícia Federal colocou alguns agentes públicos na cadeia por alguns dias. Bem ou mal, certo ou errado, dentro ou fora da lei, não importa neste momento. O que queremos discutir é a diferença entre o tratamento recebido por um "ladrão de galinha" e um corrupto.
O criminoso comum, representado no nosso exemplo pelo "ladrão de galinha", normalmente não tem condições financeiras de bancar sua defesa diante da justiça e vai cumprir aquela pena resultante do julgamento. Ao retornar à sociedade ele só tem duas opções. Trabalhar por conta própria e de preferência numa localidade onde ninguém conheça seu passado, ou voltar à bandidagem. Dificilmente ele conseguirá emprego. Você empregaria uma ex-presidiário?

O corrupto tem um tratamento diferenciado. Primeiro que seu crime é sempre contestado a título de "perseguição política". Depois, todo aquele trabalho minucioso realizado pela Polícia Federal é jogado no lixo quando as liminares começam a sair. Pode até demorar 43 dias, mas o corrupto sairá da prisão. E dependendo das consequêncas, ele sairá direto da prisão para sua campanha eleitoral.

O que diferencia o "ladrão de galinha" do corrupto é que o "ladrão de galinha" foi preso, julgado, condenado e cumpre a pena pelo crime que cometeu. Isto está correto e é justo. Mas o ex-detento , embora em liberdade, vai estar condenado pelo resto da vida. Isto é justo?
Já o corrupto... Bom, o corrupto...

Vejam a reportagem do www.diarioam.com.br (acesso para assinantes).


Política

Depois da prisão, Rodrigo Alves volta a Coari

Depois de passar 43 dias preso em Manaus e dizendo-se “injustiçado” pelas acusações que sofre na Justiça Federal, Rodrigo Alves, vice-prefeito e candidato a prefeito de Coari (a 363 quilômetros de Manaus) pela coligação ‘A Vitória do Progresso’, chegou ao município no final da tarde de sábado e foi recebido por uma legião de ocupantes de cargos de confiança da prefeitura, cabos eleitorais e simpatizantes. A chegada dele a Coari deu início à campanha de sua coligação com quase dois meses de atraso. Rodrigo esteve preso no Instituto Penal Antônio Trindade (Ipat) juntamente com mais dez pessoas pertencentes à cúpula da administração pública de Coari, acusadas de integrar uma organização criminosa (Orcrim) responsável por fraudes em licitações, desvio de verbas públicas, sonegação fiscal e exploração sexual infanto-juvenil, desviando, segundo a PF, mais de R$ 30 milhões, com sonegação de impostos. O prefeito de Coari, Adail Pinheiro, que apóia Alves, é acusado pela PF como líder do esquema de corrupção revelado pela Operação ‘Vorax’ e foi indiciado em, pelo menos, 17 crimes pela PF, mas não chegou a ser preso. A tática de chamar Rodrigo de “injustiçado” tem sido a estratégia da coordenação da campanha para encobrir as denúncias de corrupção e atrair eleitores. “É um rapaz bondoso, que foi um ótimo vereador, secretário. O povo está revoltado com a forma como o Rodrigo foi preso e por isso a preferência do eleitorado só tem aumentado”, disse o coordenador da campanha, Venilton Falcão. Enquanto carros e motos se organizavam no final da estrada do aeroporto da cidade para recepcionar o candidato, uma faixa com os dizeres “Para o mal prevalecer, basta a sociedade e as pessoas de bem se omitirem”, acompanhada com uma bandeira preta, foi colocada em um sítio na área onde simpatizantes da candidatura do vice-prefeito se concentravam. Rodrigo chegou a Coari, desembarcou no aeroporto e, minutos depois, seguiu de carro até o clube Pôr-do-Sol, onde cabos eleitorais e simpatizantes o aguardavam. Na propaganda de rádio, na qual o vice-prefeito falou pela primeira vez publicamente, após a soltura na última segunda-feira, Rodrigo pede “humildemente o voto de confiança da população para dar continuidade ao progresso de Coari”. A largada da campanha com “A Caminhada da Vitória”, como a coordenação da coligação denominou o evento de sábado, também serviu para mostrar a gigantesca estrutura que está à disposição do candidato e com a qual tentará convencer o eleitorado de que as acusações de corrupção contra ele e o prefeito Adail Pinheiro não pesarão na campanha. Liderados por um trio elétrico que fazia a convocação dos eleitores nas ruas, centenas de carros e motos percorreram as principais ruas da cidade desde o aeroporto da cidade. Rodrigo seguiu em um carro acompanhado pelo prefeito Adail Pinheiro. Vereadores e secretários seguiram a pé. Até uma música fazendo sátira com a prisão de Rodrigo foi distribuída entre os cabos eleitorais e tocada nas ruas durante todo o dia. Dando uma conotação eleitoreira às investigações, a letra dizia: “Taí eu te disse que o Rodrigo ia sair...mas a oposição não queria acreditar”. “Infelizmente a população se deixa levar pela grandeza de uma passeata como essa, e muitos votarão em um corrupto que, na verdade, deveria estar afastado do cargo que ocupa e respondendo pelos crimes na Justiça”, disse o universitário Ronildo Carlos Pereira

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Ser ou não ser: pacífico, passivo, burro, ignorante ou inteligente

As palavras são:

Pacífico;
Passivo;
Burro;
Ignorante;
Inteligente.

Com a ajuda do "Dicionário Aurélio Eletrônico - Século XXI - Versão 3.0 - 1999", encontramos as definições para cada uma das palavras acima. E o que vimos?

Estamos nós diante de palavras semelhantes ou não na pronúncia, relacionadas ou não no sentido, mas presentes no cotidiano da população interiorana do estado do Amazonas.
Ser pacífico e ser passivo não são exatamente a mesma coisa. Enquanto o ser pacífico significa estar do lado da paz, o ser passivo não atua, é inerte, indiferente ou apático com as coisas que o cerca.
Ser burro e ser ignorante não são exatamente a mesma coisa. Enquanto o ser burro é aquele indivíduo que não possui inteligência, um estúpido, um imbecil, o ser ignorante é aquele que ignora, que não tem conhecimento de determinada coisa.
Quanto ao ser inteligente, este sim, é aquele que tem ou revela inteligência. É aquele que pode até ser ignorante, que pode até ser pacífico, mas jamais burro, jamais passivo, jamais estúpido ou imbecil.
No Amazonas, o povo interiorano apresenta várias dessas qualidades. Mas a predominância é, infelizmente, das qualidades negativas. Nossa culpa? Talvez. Poderíamos ser melhores? Sim, mas nunca teríamos conseguido sozinhos.
Nesse período de campanha eleitoral, os municípios do interior estão fervendo. Quem poderia e quem não poderia, quem deveria e quem não deveria, estão concorrendo à eleição ou à reeleição. São gente honesta e gente desonesta. Gente bem-intencionada e gente mal-intencionada. Gente preparada e gente completamente despreparada. Há de tudo um pouco.
Na capital do estado é um pouco diferente. Mas vamos ficar só no interior mesmo.
O interiorano do Amazonas vê nesse período de campanha eleitoral a oportunidade de receber algum dinheiro diretamente do “político”. É o único momento que ele tem contato direto com o “político”. E "o político é gente boa”, “falou comigo”, “me deu um abraço”. “Gostei dele”. “Veio de longe me visitar aqui na comunidade rural”, “quis saber do que estou precisando”, “ele disse que vai melhorar as coisas pro nosso lado”...
É exatamente nesse período que as qualidades de pacífico, passivo, burro, ignorante e inteligente são colocadas à prova. Quanto mais uma qualidade positiva predominar sobre as negativas em uma determinada localidade do interior do Amazonas, mais chances a população terá de “ser melhor”, pois não estará mais sozinha. Se isso acontecer, será resultado, um pouco, da superação do ser pacífico sobre o ser passivo, mas principalmente, do ser inteligente sobre o ser burro e sobre o ser ignorante .